DataZAP Report #113
20/05/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 14 a 20 de maio, comentadas por nossos especialistas.
Aumento do IPCA Abril e o impacto no mercado imobiliário

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE. Este foi o resultado mais elevado para o mês de abril desde 2022, quando a inflação havia atingido 1,06%. Com esse desempenho, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,14% em março para 4,39% em abril, mantendo-se acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central.
O aumento do IPCA promove ajustes importantes no mercado imobiliário e nas condições de financiamento habitacional. No processo de aquisição de imóveis, a inflação mais elevada influencia os custos de construção, levando incorporadoras a revisar preços de lançamentos e exigindo dos compradores maior planejamento financeiro. Os bancos tendem a adotar critérios mais rigorosos na análise de crédito diante do cenário inflacionário, resultando em maior dificuldade de aprovação de valores elevados e exigência de comprometimento de renda mais conservador. Esse ambiente demanda dos agentes do mercado, incorporadoras e construtoras, maior conhecimento e entendimento das dinâmicas econômicas para desenvolvimento de projetos mais assertivos, adequados ao novo patamar de custos e à capacidade de pagamento do público-alvo. A adaptação a esse cenário requer estratégias de produto, precificação e comercialização alinhadas às condições de mercado vigentes.
Mercado imobiliário enfrenta novo ciclo de crédito e reorganização dos lançamentos em 2026

O mercado imobiliário brasileiro atravessa, em 2026, uma fase de transição relevante marcada pela mudança estrutural nas fontes de financiamento do setor. Historicamente dependente dos recursos da poupança (SBPE - Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), o segmento passa a conviver com um ambiente de crédito mais seletivo, impulsionado pela redução da captação líquida da poupança em meio aos juros elevados e à maior concorrência de aplicações de renda fixa. Como reflexo, o volume de financiamentos imobiliários apresenta desaceleração, pressionando o ritmo de lançamentos e exigindo maior cautela das incorporadoras. Em contrapartida, instrumentos alternativos, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) — cujas emissões ultrapassaram R$ 270 bilhões em 2025, registrando crescimento em relação ao ano anterior —, e as operações via mercado de capitais ganham protagonismo e começam a redesenhar a dinâmica de funding do setor.
Na cidade de São Paulo, os impactos desse cenário já aparecem nos dados do primeiro trimestre de 2026. De acordo com o Secovi-SP (Sindicato da Habitação), os lançamentos recuaram 5% em volume e 19% em valor, em comparação ao mesmo período de 2025. Esse resultado reflete principalmente a desaceleração dos empreendimentos de médio e alto padrão (MAP). Por outro lado, o segmento econômico, puxado pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), manteve expansão nas vendas e nos lançamentos. Porém, de acordo com Celso Petrucci (Economista-chefe do Secovi-SP), os dados de março de 2026 já indicam sinais de retomada gradual no segmento de média e alta renda. Segundo o economista, os lançamentos desse perfil registraram crescimento anual de 18,5%, além de apresentarem aumento na participação dentro do mix total de empreendimentos da cidade de São Paulo, sinalizando uma recuperação mais consistente desse mercado após o início de ano mais desacelerado.
Essa retomada encontra respaldo no comportamento do consumidor. Apesar da redução cautelosa nas taxas de juros, a demanda segue resiliente, guiada mais pelo planejamento financeiro familiar do que pelo cenário macroeconômico, indica o economista. Esse comprador encontra hoje uma oferta de imóveis novos 34% maior do que no ano anterior, reflexo direto da recente desaceleração no ritmo de vendas.
Em contrapartida, o grande desafio do setor para o restante do ano é a alta expressiva nos custos de construção, pressionada pelo avanço do INCC e por propostas de reajustes de até 25% nos materiais de construção. O preço do petróleo tem impacto direto nos insumos usados nas obras, mas, segundo Petrucci, há um incômodo com os aumentos pedidos pelos fabricantes. “Há uma preocupação que está sendo levada para o governo. Estamos achando que aumentos de 10% a 25%, propostos por alguns setores, podem estar um pouco exagerados”, diz. Consequentemente, o mercado vive um equilíbrio delicado: precisa atender a um cliente engajado e com muitas opções, enquanto gerencia a inflação nas obras para evitar que o repasse de preços inviabilize novas vendas.
Aluguéis registram maior alta em um ano, aponta FipeZAP.

Os preços de locação residencial subiram 1,04% em abril de 2026. De acordo com o Índice FipeZAP, essa foi a maior alta mensal registrada desde abril do ano passado. Nesse cenário, as unidades de três dormitórios lideraram a valorização do mês. Além disso, o reajuste geral dos aluguéis superou tanto a inflação oficial quanto os preços de venda de imóveis. A alta atingiu 30 das 36 cidades monitoradas, com destaque para os avanços expressivos em Aracaju e Teresina. Por outro lado, capitais como Natal e Vitória andaram na contramão e fecharam o mês em queda.
Com esse avanço, o preço médio nacional da locação atingiu R$ 52,89 por metro quadrado. São Paulo continua liderando com o aluguel mais caro do país, seguida de perto por Belém e Recife. Curiosamente, os apartamentos compactos de um dormitório registram o maior valor por metro quadrado. Enquanto isso, as unidades de três quartos oferecem o custo mais acessível nessa mesma métrica. No acumulado do ano, o índice já registra alta de 3,51%, superando o IPCA.