DataZAP Report #120
08/07/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 2 a 8 de julho, comentadas por nossos especialistas.
Caixa chega a R$ 1 trilhão em financiamentos imobiliários, impulsionados pelo “Minha Casa, Minha Vida” e FGTS

A Caixa Econômica Federal registrou um marco histórico ao atingir R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito habitacional, o que representa um crescimento de 14,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento está diretamente relacionado a políticas públicas de habitação e facilitação regulatória de fundos de garantia. A CEF controla agora cerca de 68% do mercado de crédito habitacional do país, com um volume que abrange 7,9 milhões de contratos ativos.
Nessa expansão, o programa "Minha Casa, Minha Vida" é o principal vetor de crescimento, sendo responsável por 58,4% do valor total da carteira ao atender diferentes faixas de renda. Em uma perspectiva de médio prazo, o estoque de financiamentos da instituição mais do que dobrou em um intervalo de seis anos, elevando-se de R$ 483,6 bilhões em junho de 2020 para o patamar atual de R$ 1 trilhão em junho de 2026. Esse incremento acumulado de aproximadamente 107% adicionou R$ 516 bilhões em novos financiamentos.
O desempenho recente foi impulsionado de forma decisiva pela maior utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Como reflexo direto, no primeiro trimestre de 2026, os financiamentos habitacionais segurados pelo FGTS avançaram 17,1%, superando o crescimento de 9,1% das operações com recursos próprios da Caixa. Assim, o FGTS tornou-se o principal alicerce de crédito do banco no período, respondendo por R$ 38,6 bilhões dos R$ 64,2 bilhões totais concedidos no trimestre, o equivalente a cerca de 60% das novas contratações.
Leia mais: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/02/financiamento-imobiliario-da-caixa-cresce-14-em-um-ano.ghtml
https://www.gov.br/cidades/pt-br/assuntos/noticias-1/noticia-mcid-n-2315
Radar da Construção

No início de julho, durante a Construsummit 2026, foi lançado o Radar da Construção, uma colaboração entre o Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo OLX. Esse é um relatório semestral que traz dados macroeconômicos, custos de produção, preços de lançamentos de imóveis e intenção de compra real do consumidor.
Após um ano de 2025 marcado por volatilidade geopolítica, e incertezas fiscais, o primeiro trimestre de 2026 apresentou um ambiente de retomada para o setor, porém com caráter seletivo e condicionado à qualidade das decisões operacionais. Ao olhar para a economia nacional, com projeções em 2026 de 12,5% para a Selic, 4,31% para IPCA e R$ 5,40 para câmbio, existe o impacto direto no custo da produção, além do encarecimento do crédito, atingindo diretamente a capacidade de financiamento e a demanda.
No campo dos custos de produção, o relatório identifica pressões significativas entre os insumos. Nos últimos doze meses, o fio de cobre acumulou alta de 30,72%, o cimento avançou 14,96%, enquanto o aço e a argamassa registraram recuos. A mão de obra, medida pelo INCC, apresentou elevação de aproximadamente 9%, sendo o principal ponto de pressão sobre as margens.
No que se refere ao comportamento da demanda, a pesquisa do anuário DataZAP revela que 82% dos interessados se encontram nas etapas iniciais da jornada de aquisição, descoberta e busca ativa, com mediana de processo decisório de três meses. Para 48% dos entrevistados, será a primeira aquisição de um imóvel, e 91% do total considera imóveis usados como alternativa viável, o que impõe às incorporadoras a necessidade de justificar o preço dos lançamentos com atributos concretos de valor.
A análise regional reforça a heterogeneidade do mercado nacional. Rio de Janeiro e Fortaleza lideram as valorizações de lançamentos, com altas de 68,51% e 52,73%, respectivamente, enquanto São Paulo mantém alto volume de transações com preços estáveis. O Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI) é apontado como condição indispensável para avaliar a liquidez real de cada praça, evitando que os repasses de preço ocorram em mercados sem absorção suficiente para sustentá-los.
O desfecho do diagnóstico aponta para uma janela de oportunidade em 2026, mas condicionada à capacidade das empresas de operar com inteligência. A implicação direta dos dados apresentados é que o sucesso no período dependerá da articulação entre leitura macroeconômica, controle rigoroso de custos por insumo, validação prévia da demanda antes do lançamento e eficiência na jornada comercial digital, mantendo como premissa central que a retomada do setor não será uniforme entre regiões, padrões de produto ou perfis de empresa.
Leia mais: https://sienge.com.br/radar-da-construcao/
Índice FipeZAP Venda avança 0,45 % em junho e sobe 2,42% no primeiro semestre

O Índice FipeZAP de Venda Residencial, que acompanha a variação dos preços de imóveis em 56 cidades brasileiras, registrou aumento médio de 0,45% nos preços de venda de imóveis em junho, e encerrou o primeiro semestre com alta de 2,42%. Na comparação com outros índices de referência do mercado, o resultado semestral ficou abaixo tanto da inflação ao consumidor (+3,62%) que é medida pelo IPCA acumulado no ano até maio, acrescido da prévia de junho e dada pelo IPCA-15 (IBGE), quanto da variação do IGP-M/FGV (+3,27%).
Entre os tipos de imóveis residenciais analisados, a elevação em junho foi relativamente maior entre unidades com quatro ou mais dormitórios (+0,75%), enquanto unidades com três dormitórios apresentaram a menor variação mensal (+0,25%). Já no acumulado de 12 meses ainda entre tipologias, imóveis com um dormitório lideraram a valorização (+7,30%) contrastando com a menor variação de preço entre unidades residenciais com três dormitórios (+4,31%).
Quando observado por região, em junho a alta abrangeu 50 das 56 cidades monitoradas, incluindo 19 das 22 capitais contempladas pelo índice, com destaque para Manaus (+2,06%), Vitória (+1,64%) e Brasília (+1,25%). Já no acumulado do ano, 55 das 56 cidades registraram valorização residencial, incluindo as 22 capitais, com destaque para Salvador, Fortaleza e Vitória que lideram com alta de 12,42%, 10,79% e 10,24%, respectivamente.
O relatório Índice FipeZAP de Venda Residencial com análises territoriais e comparativas auxiliam na identificação de mercados com maior atratividade para valorização e revela um mercado aquecido e com oportunidades.