DataZAP Report #121
15/07/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 9 a 15 de julho, comentadas por nossos especialistas.
Setor imobiliário vê 2026 forte, mas já trata 2027 com mais cautela

Em painel recente no Construsummit, representantes do setor imobiliário avaliaram que 2026 está sendo um ano de expansão para o financiamento de imóveis, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida e pelos recursos do FGTS, que vêm proporcionando um fôlego para o crédito habitacional no contexto atual de taxa Selic em patamares elevados.
Por outro lado, o cenário impõe cautela para a cadeia produtiva no horizonte de 2027, especialmente para os segmentos de média e alta renda. A economia real da construção civil segue impactada por desafios estruturais, como a escassez de mão de obra qualificada, o alto custo de capital atrelado aos juros elevados e a incerteza gerada pelas novas regras tributárias que entrarão em vigor nos próximos meses.
Diante dessa disparidade de expectativas de crescimento entre a oferta de crédito e a cadeia produtiva da construção civil, os participantes do painel alertam para uma mudança de postura no setor, na qual o crescimento a qualquer custo perde espaço para a busca por eficiência operacional. Adicionalmente, para destravar novos projetos e sustentar a expansão, será preciso cada vez mais diversificar as fontes de financiamento (funding) por meio de alternativas no mercado de capitais, uma vez que a poupança tradicional já não basta para suprir a demanda do setor.
Decisão do STF pode impactar mercado imobiliário

O Supremo Tribunal Federal está analisando uma questão que pode mudar a forma como contratos de financiamento imobiliário são fechados no Brasil. Está em discussão se contratos de alienação fiduciária podem continuar sendo feitos por instrumento particular ou se vão passar a exigir escritura pública no cartório. A alienação fiduciária é aquela em que o imóvel fica como garantia da dívida até o fim do pagamento do financiamento. É o modelo que deixou o crédito imobiliário mais seguro e acessível no país nas últimas décadas. Não se está questionando se o mecanismo funciona, apenas como ele deve ser formalizado.
Hoje, a lei permite que os contratos sejam feitos por instrumento particular ou por escritura pública, desde que registrados no cartório de imóveis. Mas em 2024 o Conselho Nacional de Justiça criou novas regras limitando o uso do instrumento particular só para bancos e instituições financeiras. O resto, como incorporadoras, loteadoras e fundos de investimento, passaria a ser obrigado a fazer escritura pública. Na prática, isso significa mais uma etapa no processo, com mais tempo, mais burocracia e mais custo. A Corregedoria suspendeu essas regras por entender que o impacto econômico podia ser grande, e agora o Supremo está decidindo se mantém ou não essa suspensão.
Para os que podem ser afetados, o caminho recomendado é não aguardar passivamente a decisão final. Se for revogada, quem já mapeou quais operações vão precisar de escritura pública sai na frente. É possível antecipar quais custos extras entram na conta e como repassá-los de forma mais inteligente ao preço do imóvel, sem afastar o comprador. Quem se organiza antes consegue absorver o impacto sem ser surpreendido pelo mercado.
Aluguel acima da inflação: preços sobem mais de 5% no primeiro semestre

De acordo com o relatório FipeZAP Locação, os preços médios de locação residencial subiram 5,24% nos primeiros seis meses do ano, superando com folga a inflação oficial acumulada de 3,36% no mesmo período. Apenas em junho, a alta foi de 0,81%, mostrando que o mercado continua aquecido mesmo com uma leve desaceleração em relação ao mês anterior. Os apartamentos de dois quartos foram os principais responsáveis por puxar essa alta mais recente.
O aumento de preços se espalhou de forma quase generalizada pelo país. Das 22 capitais analisadas, 21 registraram alta no semestre, com Aracaju liderando os reajustes ao acumular um aumento de quase 17%. No topo da lista dos aluguéis mais caros, São Paulo segue na liderança com o metro quadrado médio custando R$ 64,98, seguida de perto por Recife e Belém. De forma geral, os apartamentos compactos de apenas um dormitório são os que custam mais caro por metro quadrado.
Para quem investe no setor, o retorno médio anual com o aluguel ficou em 6,13% em junho, um rendimento que ainda perde para as principais aplicações financeiras do mercado de capitais. Apesar disso, a rentabilidade varia bastante de acordo com a região e o tipo de imóvel: Recife oferece o melhor retorno do país, passando de 8,5% ao ano, e os apartamentos de um quarto continuam sendo a opção mais lucrativa para os proprietários.