DataZAP Report #114
27/05/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 21 a 27 de maio, comentadas por nossos especialistas.
Imóvel próprio já é uma realidade para os jovens, porém há riscos que devem ser avaliados

O mercado imobiliário brasileiro registra uma mudança de comportamento geracional, com a Geração Z e jovens adultos liderando as intenções de compra de imóveis para construir patrimônio e sair do aluguel. Dados da Brain Inteligência Estratégica apontam que 56% dos jovens entre 21 e 28 anos pretendem adquirir uma propriedade nos próximos meses, enquanto pesquisas da Loft e Offerwise indicam que esse plano é compartilhado por 65% dos brasileiros entre 18 e 34 anos. Contudo, a intenção de compra esbarra em um cenário econômico hostil, caracterizado pela alta dos preços e pelo rigor na concessão de crédito bancário.
A complexidade do ambiente macroeconômico atual é reconhecida por 62% dos jovens, segundo o levantamento Retratos do Morar, realizado por Ipsos-Ipec e QuintoAndar. E para se contrapor à inflação, parte desse público recorre a incorporadoras de alto padrão em São Paulo visando garantir a valorização do ativo. Em termos de preferência habitacional, nota-se uma demanda crescente por imóveis funcionais com espaços integrados, como varandas gourmet, adequados tanto para o lazer quanto para a dinâmica do trabalho metropolitano.
Diante desses desafios, o setor imobiliário, representado por recomendações da Setin, indica que a empolgação dos compradores deve ser acompanhada por um planejamento estratégico. Este processo de decisão deve considerar cinco fatores essenciais: a projeção das necessidades futuras de espaço, o potencial de evolução profissional para o pagamento das parcelas, a infraestrutura e segurança do bairro contra sinistros, a proximidade de redes de serviços e transporte, e o estado da construção. A adoção desses critérios visa facilitar e descomplicar o processo de aquisição do imóvel próprio, especialmente para o público jovem.
Sul ganha tração no mercado de FIIs: Logística, agronegócio e infraestrutura colocam PR, SC e RS no radar de investidores.

O mercado brasileiro de fundos imobiliários (FIIs) avança além do eixo Rio–São Paulo. Impulsionados por logística, agronegócio e investimentos em infraestrutura, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ganham peso no radar de investidores e gestoras em busca de ativos com renda recorrente e potencial de valorização. A combinação de fundamentos econômicos sólidos, localização estratégica e dinamismo empresarial explica a tração crescente da região, que se beneficia do escoamento produtivo e da integração com o Mercosul.
A descentralização favorece regiões com base industrial consistente, agro competitivo, boa renda média e posição logística privilegiada, atributos presentes no Sul. Os segmentos mais promissores são logística e a cadeia agroindustrial: corredores rodoviários, proximidade com fronteiras e portos como Paranaguá, Itajaí e Navegantes sustentam demanda por imóveis operacionais, centros de armazenagem, silos e ativos industriais.
O avanço de investidores locais mais familiarizados com a economia regional tende a elevar a confiança, a captação e o engajamento de longo prazo. Embora a legislação dos FIIs seja federal e não haja incentivos tributários diretos estaduais/municipais, programas de estímulo à logística, indústria e novos empreendimentos aumentam a competitividade dos ativos subjacentes.
Com descontos em alta, participação de compradores volta a crescer na pesquisa

A Pesquisa Raio-X FipeZAP do 1º trimestre de 2026, desenvolvida em conjunto pela Fipe e pelo Grupo OLX ( Viva Real e Olx) desde 2014, tem por objetivo investigar diversos tópicos de interesse relacionados ao mercado imobiliário com foco em compradores e investidores de imóveis residenciais. Nesta edição a pesquisa traz como principal destaque o percentual de transações de imóveis que apresentaram algum desconto avançou de 61% em março de 2025 para 67% em março de 2026, aproximando-se do maior patamar já registrado na série histórica da Pesquisa Raio-X FipeZAP, de 70%.
Com os descontos dos imóveis em alta, a participação de compradores — grupo formado pelos respondentes que declararam ter adquirido imóvel nos últimos 12 meses — registrou aumento, passando de 10% no trimestre anterior para 12% da amostra referente ao 1º trimestre de 2026. Com esse resultado, o indicador voltou a se posicionar acima da média histórica da pesquisa, de 11%. Além disso, a proporção de compradores potenciais — isto é, respondentes que declararam intenção de adquirir um imóvel nos próximos 3 meses — avançou para 37% da amostra do 1º trimestre de 2026, ante 33% no trimestre anterior, recuperando patamar próximo à média histórica da pesquisa, de 38%.
A pesquisa também traz a participação dos investidores através da classificação das transações como investimento. Com base nos dados detalhados pelos compradores a respeito da data e objetivos da aquisição, a participação de transações classificadas como investimento no acumulado em 12 meses recuou de 42% em dezembro de 2025 para 40% em março de 2026, permanecendo abaixo da média histórica da pesquisa (43%). Ainda assim, a composição dos investimentos reforça a importância da locação como principal estratégia dos investidores imobiliários: entre as aquisições classificadas como investimento nos últimos 12 meses, 70% tiveram como objetivo a obtenção de renda com aluguel, enquanto 30% foram direcionadas à revenda após valorização do imóvel.
Contudo, o resultado indica que a negociação entre compradores e vendedores seguiu exercendo papel relevante na efetivação das compras, mesmo em um contexto de expectativas ainda positivas para os preços.