DataZAP Report #116
10/06/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 4 a 10 de junho, comentadas por nossos especialistas.
Entre expectativas e resultados: o impacto de eleições e grandes eventos no mercado imobiliário

O mercado imobiliário brasileiro frequentemente se questiona sobre uma possível desaceleração nas vendas em anos impactados por eleições, Copa do Mundo ou excesso de feriados. Porém, em análise dos ciclos recentes do setor, não é um cenário de desaceleração que é encontrado, contrariando as incertezas que afetam outras áreas da economia. O mercado habitacional segue uma lógica própria apoiado em resiliência e estabilidade por ser impulsionado por fatores estruturais, como crédito disponível, renda e investimentos, e de longo prazo, como demanda por moradia e crescimento das cidades.
A estabilidade do setor também é explicada pela atuação do mercado de forma descentralizada, operando em diversos nichos e dinâmicas regionais simultâneas, o que permite que determinados segmentos cresçam mesmo enquanto outros passam por ajustes.
E para entender os impactos políticos e econômicos, como as eleições presidenciais, o Grupo OLX, através da equipe de Market Intelligence, elaborou a pesquisa "O Impacto Político No Setor Imobiliário", questionando os compradores sobre sua jornada de aquisição do imóvel mediante cenário atual do mercado. A pesquisa revelou que 23% dos entrevistados acreditam que as próximas eleições vão afetar sua decisão de compra e destes, 42% vão olhar para imóveis de menor valor. É mostrado na pesquisa que metade dos entrevistados acredita que os preços dos imóveis irão aumentar nos próximos 12 meses. Assim, para uma parcela significativa do mercado de compradores do setor imobiliário, existe a percepção de que as eleições podem alterar os seus respectivos padrões de consumo.
Caixa lidera crédito imobiliário em SP pelo 4º ano consecutivo

A Caixa Econômica Federal foi eleita, pela quarta vez consecutiva, a melhor instituição em crédito imobiliário na cidade de São Paulo, segundo o Datafolha 2026. O banco alcançou 23% das menções, com aumento de 5 p.p em relação ao ano passado e consolidou sua liderança na preferência dos moradores da capital. O desempenho é sustentado por um pacote de medidas lançado a partir do segundo semestre de 2025 para ampliar o acesso ao financiamento habitacional.
Entre as mudanças, destaca-se o aumento da cota financiável, até 80% do valor do imóvel para quem opta pela tabela SAC (parcelas decrescentes) e 70% para a modalidade Price (parcelas iniciais menores e fixas). A Caixa também elevou o teto do valor dos imóveis financiáveis de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, ampliando o alcance para perfis de renda média e alta. Outro ponto importante foi a retomada da possibilidade de uma mesma pessoa contratar mais de um financiamento imobiliário com recursos do SBPE, prática que estava suspensa desde novembro de 2024.
Na frente de construção e reforma, o banco lançou uma nova linha dentro do programa Reforma Casa Brasil, com R$ 30 bilhões destinados a famílias com renda de até R$ 9.600 (via fundo social do Minha Casa Minha Vida) e outros R$ 10 bilhões do SBPE para quem supera esse limite. O pacote reforça a oferta de crédito para produção, aquisição e melhoria do estoque habitacional, acelerando a jornada rumo à casa própria.
Com reconhecimento recorrente no Datafolha e um portfólio mais competitivo, a Caixa consolida sua posição como referência em financiamento imobiliário na capital paulista.
Imóveis de um dormitório e capitais do Nordeste foram os destaques de maio

O Índice FipeZAP de Venda Residencial, que acompanha a variação dos preços de imóveis em 56 cidades brasileiras, registra alta de 0,42% nos preços de venda de imóveis em maio, e entre os tipos de imóveis residenciais analisados, a elevação foi relativamente maior entre unidades que dispunham de apenas um dormitório (+0, 55%), enquanto unidades com três dormitórios apresentaram a menor variação mensal (+0,28%). No acumulado de 12 meses ainda entre tipologias, a elevação permaneceu maior entre imóveis com um dormitório (+7,35%), e unidades com três dormitórios registraram a menor variação (+4,52%).
Na comparação com outros índices de referência do mercado, o IGP M/FGV exibiu avanço de 0,84%, enquanto a prévia do IPCA/IBGE de maio, dada pelo IPCA-15 registrou aumento de 0,62% nos preços ao consumidor.
Referente ao preço médio de venda residencial, em maio o preço médio nacional foi de R$9.809/m². Considerando as 22 capitais que integram a amostra do índice FipeZAP, Vitória (ES) foi a cidade com o maior preço médio (R$14.965 /m²) em maio, seguida de Florianópolis (R$13.288/m²). Entre tipologias, os imóveis que apresentaram o maior preço médio foram de um dormitório (R$11.987/m²), enquanto as unidades com dois dormitórios registraram o menor valor (R$8.813/m²).
Quando observado por região, em maio a alta abrangeu todas as 56 cidades monitoradas, incluindo as 22 capitais contempladas pelo índice, com destaque para Aracaju (+1,88%), João Pessoa (+1,46%) e Teresina (+1,43%). Já no acumulado do ano, 55 das 56 cidades registraram valorização residencial, incluindo as 22 capitais, com destaque para Fortaleza e Salvador que lideram com alta de 12,99% e 12,52%, respectivamente.
O comportamento recente dos preços de venda de imóveis residenciais revela um mercado aquecido e com oportunidades para tipologias menores, e principalmente para as capitais do Nordeste: Aracaju (SE), João Pessoa (PB) e Teresina (PI).