DataZAP Report #123
29/07/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 23 a 29 de julho, comentadas por nossos especialistas.
Mercado imobiliário corporativo retoma e supera expectativas pós-pandemia

Durante anos, acreditou-se que o home office decretaria o fim dos grandes escritórios. A pandemia teria acelerado um movimento irreversível, com empresas devolvendo andares e reduzindo áreas. Mas os números mais recentes, mostram que o mercado vive um novo ciclo de expansão da ocupação corporativa, com aumento da demanda por grandes lajes. Segundo o Índice FipeZap Comercial de junho, os aluguéis desse segmento avançaram 11,5% nos últimos 12 meses, acima da inflação. O Rio de Janeiro liderou com alta de 20%, enquanto São Paulo manteve o metro quadrado comercial mais caro do país.
Depois de um período de trabalho remoto, muitas empresas encontraram um novo formato, mesclando dias de home office com a presença nos escritórios. Os espaços voltaram a ter papel relevante na cultura das empresas, mas de forma mais intencional e de integração entre equipes. Outro fator que explica o aquecimento do mercado é a busca por edifícios mais modernos e eficientes.
Para o mercado imobiliário brasileiro, a retomada representa um sinal positivo de confiança na economia e aquecimento da demanda por imóveis comerciais. A valorização dos aluguéis acima da inflação deve incentivar novos lançamentos e investimentos no setor.
Caixa reconhece renda de aplicativos no financiamento imobiliário

A Caixa Econômica Federal atualizou suas políticas de financiamento imobiliário e passou a reconhecer os ganhos de motoristas e entregadores de aplicativos como renda válida para a contratação de financiamento. A medida abrange profissionais que atuam em plataformas como Uber, 99, iFood e Rappi, que antes esbarravam na falta de vínculo empregatício formal para conseguir crédito. Com a nova regra, os pagamentos feitos por essas empresas podem ser utilizados na avaliação de crédito habitacional, desde que o trabalhador comprove ao menos quatro meses consecutivos de recebimentos em uma mesma plataforma por meio de extratos.
A iniciativa da Caixa busca acompanhar as mudanças no mercado de trabalho e promover a inclusão financeira desse público, que cresce substancialmente no Brasil. Segundo o IBGE, milhões de trabalhadores dependem dos aplicativos como principal fonte de renda, mas enfrentam obstáculos na aquisição de produtos financeiros por não possuírem carteira assinada e precisarem recorrer aos moldes de comprovação de renda exigidos tradicionalmente, como declaração de Imposto de Renda, movimentação bancária ou inscrição de MEI.
Apesar do reconhecimento da renda via aplicativos, as demais etapas de avaliação de crédito não foram eliminadas. O banco continuará analisando critérios como a capacidade de pagamento do cliente, o seu histórico financeiro e as condições do imóvel pretendido para o financiamento. A mudança, portanto, amplia as possibilidades de enquadramento, mas mantém a responsabilidade na concessão do crédito.
Com isso, a expectativa da instituição é permitir que milhares de trabalhadores com renda recorrente, mas sem carteira assinada, acessem o financiamento da casa própria em condições semelhantes aos trabalhadores formais. Para o setor imobiliário, essa medida representa a liberação de uma demanda reprimida, o que pode aquecer a busca por imóveis.
Brasil em alta: a procura de imóveis por estrangeiros aumenta

A compra de imóveis por investidores estrangeiros vem crescendo de forma expressiva no litoral brasileiro, com destaque para a Zona Sul do Rio de Janeiro e as praias de Santa Catarina. A combinação de um câmbio favorável para moedas fortes, regras simples para obter residência e o avanço de profissionais em trabalho remoto impulsionou esse interesse. Em bairros como Ipanema e Leblon, quase um terço dos lançamentos compactos já é vendido para investidores de fora. Em cidades catarinenses como Florianópolis e Balneário Camboriú, argentinos e americanos lideram a busca por apartamentos na planta, enxergando no Brasil uma opção com preços menores e boa margem de valorização.
O principal objetivo dessa onda de compras é a rentabilidade gerada pelo aluguel de curta temporada. O Brasil já é o terceiro país com mais anúncios no Airbnb, apoiado por empresas que administram os apartamentos à distância. Para o investidor, o modelo é prático: ele utiliza o imóvel durante as férias e o mantém alugado no restante do ano, cobrindo os custos de manutenção e garantindo retorno financeiro. No entanto, o fenômeno traz um efeito colateral direto para as cidades. A conversão de moradias tradicionais em hospedagem de temporada reduz a oferta de casas para moradia fixa, elevando o preço do aluguel para a população local.
A alta nos custos de moradia começa a levantar debates sobre a necessidade de novas regras no mercado. Em várias partes do mundo, como no Canadá e na Europa, governos limitaram a compra de imóveis por estrangeiros e impuseram restrições a plataformas de hospedagem rápida para proteger o mercado interno. No Brasil, embora a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça exija autorização prévia de condomínios para locações rotativas, especialistas apontam que o contínuo aumento dos aluguéis deve pressionar o poder público a criar limites mais claros para o setor.