DataZAP Report #136
28/10/2026|DataZAP Report
DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 21 e 27 de outubro, comentadas por nossos especialistas.
Sustentada pelo FGTS, Caixa descarta expansão do Minha Casa, Minha Vida para famílias de maior rendimento

A Caixa Económica Federal afastou, no curto prazo, a hipótese de expandir o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para famílias com rendimentos mensais até 21 mil reais. A possibilidade vinha a ser debatida no mercado imobiliário com o intuito de estender os benefícios a uma fatia mais alargada da classe média, mas a vice-presidente de Habitação do banco estatal, Inês Magalhães, clarificou junto de analistas que esse cenário não está previsto. Embora pequenas alterações pontuais nas regras possam vir a ocorrer, o banco considera improvável uma alteração estrutural dessa dimensão no horizonte imediato.
Sob a ótica orçamental, a instituição financeira considera que os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) são plenamente capazes de suportar os montantes já aprovados no Plano Plurianual, assegurando a continuidade saudável das operações. Mesmo com a adoção de critérios mais seletivos e rigorosos na aprovação de crédito, a Caixa sublinha que a meta de crescimento do programa para 2026 não se encontra em risco. Para os próximos anos, o principal ponto de atenção continuará a ser a evolução do desemprego, indicador crucial para a capacidade de pagamento das famílias e para o equilíbrio das receitas do FGTS.
Por último, a estratégia da Caixa mantém uma distinção clara entre os instrumentos de financiamento habitacional, preservando o MCMV focado no seu público tradicional e direcionando a classe média para o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Ao mesmo tempo, os níveis de incumprimento mantêm-se em patamares considerados saudáveis, impulsionados por iniciativas conjuntas com as promotoras para qualificar a avaliação prévia dos clientes e reduzir operações de maior risco.
A Força Econômica do Bem-Estar Integrado

O avanço do conceito de bem-estar integrado vem reconfigurando estratégias corporativas e padrões de consumo em escala internacional, estruturando a dinâmica do chamado Wellness 360º. Dados do Global Wellness Institute (GWI) indicam que a economia global do setor alcançou US$ 6,8 tri em 2024, distribuída por onze segmentos que articulam desde a prevenção em saúde até recursos tecnológicos. Nesse cenário, o Brasil assegura relevância ao ocupar a 11ª posição no ranking global, com movimentação avaliada em US$ 125 bi, refletindo o peso crescente da longevidade e da rotina saudável nas decisões financeiras do consumidor.
Essa transformação gera impactos expressivos em verticais de negócios, com destaque para a habitação e o setor fitness. O mercado imobiliário focado em bem-estar movimentou US$ 876 bi mundialmente e projeta atingir US$ 1,8 tri até 2030, impulsionado por critérios de compra que priorizam ventilação, conforto térmico, iluminação natural e integração com áreas verdes. Paralelamente, as redes de atividade física extrapolam os treinos convencionais ao focar na retenção, atendimento individualizado e ferramentas digitais de monitoramento, utilizando a tecnologia para refinar a experiência do usuário sob rígidos padrões de privacidade.
O segmento de alimentação e bebidas também atravessa ajustes estruturais decorrentes de novos hábitos e do avanço de medicamentos emagrecedores, que reduzem o apetite e a ingestão de álcool. A mudança exige de restaurantes, bares e redes de fast-food a reformulação de porções e menus, priorizando a densidade nutricional. A sustentabilidade dessas iniciativas demanda conhecimento aprofundado do público e articulações setoriais responsáveis, assegurando que o bem-estar funcione como catalisador de valor comercial consistente em vez de soluções simplistas.
Preços de venda e locação comercial desaceleram no mês de setembro, mas aluguéis mantêm alta acumulada e ganho real

O Índice FipeZAP Comercial registrou desaceleração na alta dos preços em setembro de 2026, com os valores de venda de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² avançando 0,19% e os de locação subindo 0,75%, após variações positivas de 0,40% e 1,01% observadas em agosto, respectivamente. No recorte das dez cidades monitoradas, o segmento de venda teve seus maiores aumentos em Curitiba (+1,16%), Brasília (+0,73%) e Campinas (+0,56%), enquanto o Rio de Janeiro registrou estabilidade (0,00%), ao passo que Porto Alegre (-0,10%) e Belo Horizonte (-0,32%) apresentaram retração. Já na locação comercial, nove das dez praças registraram valorização mensal, com recuo verificado somente em Porto Alegre (-0,31%).
No balanço de janeiro a setembro de 2026, os preços de venda comercial registraram alta acumulada de 2,06%, situando-se abaixo do IPCA (+3,95%) e do IGP-M (+3,45%), enquanto a locação avançou 9,31%, superando a inflação. Essa dinâmica manteve-se na janela móvel dos últimos 12 meses, em que os preços de venda subiram em média 2,29% e os de locação comercial avançaram 11,18%, registrando valorização no aluguel comercial em todas as dez cidades da amostra.
Em relação aos valores absolutos apurados na amostra de setembro, o preço médio de venda comercial no conjunto das cidades monitoradas foi de R$ 8.846/m², enquanto o valor médio anunciado para locação alcançou R$ 54,64/m². A cidade de São Paulo consolidou-se com o metro quadrado mais caro do país em ambas as modalidades, registrando R$ 10.662/m² para venda e R$ 62,87/m² para locação.
A rentabilidade média anualizada do aluguel comercial, rental yield, fechou setembro de 2026 em 7,66% ao ano, superando a taxa de retorno do aluguel residencial (6,13% a.a.), embora ainda abaixo da taxa de juros real de referência projetada pelo mercado. Entre as praças analisadas, o destaque absoluto de rentabilidade para o investidor continuou sendo Salvador (11,56% a.a.), seguida por Campinas (8,90% a.a.), Rio de Janeiro (8,14% a.a.) e Brasília (8,02% a.a.). Já os retornos mais moderados foram registrados em capitais como Florianópolis (6,60% a.a.) e Curitiba (6,16% a.a.).



