DataZAP Report #135
21/10/2026|DataZAP Report
DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 14 e 20 de outubro, comentadas por nossos especialistas.
Novos modelos de exploração imobiliária na rede Metroviária

O Metrô de São Paulo iniciou uma etapa de negociação com a Brio Investimentos para a construção de empreendimentos residenciais e comerciais nos terminais de ônibus integrados às estações Vila Mariana, Belém-Norte e Vila Madalena. A proposta classificada como preferencial abrange terrenos que somam 17,4 mil metros quadrados, localizados em áreas que movimentam cerca de 207 mil passageiros por dia útil. O projeto tem como objetivo manter a infraestrutura de transporte intacta, garantindo os acessos e o fluxo de embarque e desembarque, ao mesmo tempo em que delega ao parceiro privado a responsabilidade estrutural, financeira e a obtenção de licenças para as obras, que têm prazo estimado de até cinco anos após o início das construções.
A iniciativa representa uma mudança na estratégia de monetização da companhia estatal, que estuda atuar como cotista em fundos de investimento imobiliário em vez de apenas firmar contratos convencionais de locação ou participação no faturamento. Ao utilizar os próprios imóveis como contrapartida, o Metrô passa a participar diretamente dos resultados financeiros e da eventual valorização patrimonial dos ativos estruturados pela Brio. Esse modelo difere do formato adotado nos shoppings da rede, que garantem remuneração mínima ou percentual de receitas brutas aos cofres públicos, a exemplo da antecipação de R$ 280 mi negociada para a prorrogação de concessões até 2097.
A diversificação de receitas não tarifárias é uma diretriz consolidada na operação do sistema metroviário, que registrou captação de R$ 609,4 mi nessa frente ao longo de 2025, sendo R$ 446,8 mi originados exclusivamente do segmento de desenvolvimento imobiliário. Com a seleção da Brio concluída no final de setembro de 2026, a concretização dos novos negócios nos três terminais depende agora das análises técnicas e aprovações urbanísticas de cada terreno. O arranjo final definirá as proporções de investimento, os modelos construtivos aplicáveis às características de cada região e a estruturação definitiva dos fundos de participação.
Fim do home office muda a dinâmica do mercado imobiliário paulista

A retomada do trabalho presencial e a consolidação de modelos híbridos estão modificando as escolhas de moradia e a dinâmica do mercado imobiliário em São Paulo. Durante a pandemia, a possibilidade de trabalhar remotamente permitiu que muitas famílias deixassem a capital em busca de imóveis maiores, condomínios e mais qualidade de vida em cidades do interior e da região metropolitana. Com a volta aos escritórios, a proximidade do trabalho volta a ganhar importância na decisão de onde morar.
Segundo levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), a capital paulista registrou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, o maior volume de sua história e um crescimento de 49,6% em relação a 2020, primeiro ano da pandemia.
Em sentido contrário, municípios que ganharam atratividade durante a expansão do trabalho remoto apresentaram redução no número de escrituras entre 2021 e 2025. Itupeva registrou queda de 57%, Cotia de 41%, Indaiatuba de 36% e Atibaia de 31%.
Os dados sugerem uma mudança na dinâmica residencial observada durante a pandemia: se antes a flexibilidade profissional permitia morar mais longe dos principais centros de emprego, a retomada das atividades presenciais voltou a colocar o deslocamento no centro das decisões imobiliárias.
O trabalho presencial influencia a escolha de onde morar
A mudança no comportamento dos trabalhadores ajuda a contextualizar esse movimento. O estudo A Experiência Laboral 2026 no Brasil, realizado pela WeWork em parceria com a consultoria Offerwise, com 2.500 profissionais de todo o país, aponta que 63% dos entrevistados trabalham presencialmente. Entre esses profissionais, 79% afirmam que a presença no escritório é uma exigência do empregador.
Quando podem escolher, porém, apenas 42% dizem que optariam pelo modelo presencial. A preferência dos demais se divide entre o trabalho híbrido e o remoto, indicando que a flexibilidade continua relevante para os profissionais.
O deslocamento aparece como um dos principais fatores dessa equação: 65% dos entrevistados apontam o tempo gasto no trajeto como uma dificuldade do trabalho presencial, enquanto 53% mencionam o aumento dos gastos pessoais para comparecer ao escritório. Além disso, 93% consideram fundamental o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Esses fatores ajudam a explicar por que a localização continua sendo um componente importante da escolha residencial. A necessidade de comparecer regularmente ao escritório pode aumentar a atratividade de imóveis próximos aos polos de emprego ou com boas condições de acesso, reduzindo a vantagem de morar em municípios mais distantes.
Construção civil investe na formação de profissionais para sustentar a expansão dos negócios

A dificuldade de encontrar profissionais qualificados tornou-se um desafio para empresas da construção civil, especialmente em um cenário de expansão das operações e aumento da demanda por equipes especializadas. Nesse contexto, formar profissionais dentro da própria empresa surge como uma alternativa para reduzir a dependência das contratações externas, acelerar a adaptação às rotinas de trabalho e preparar pessoas para assumir posições de liderança.
É o caminho adotado pela Plano&Plano, que mantém há mais de dez anos uma Escola de Engenharia voltada à capacitação e ao desenvolvimento de profissionais. Segundo reportagem da Exame, aproximadamente 500 profissionais passaram pelos programas de formação da companhia ao longo desse período.
A iniciativa ganha relevância diante do crescimento da operação. De acordo com a empresa, sua estrutura de Engenharia aumentou 38% entre 2024 e 2025, com expectativa de expansão superior a 30% em 2026. Atualmente, são quase 70 canteiros de obras, mais de 7 mil profissionais diretos e indiretos ligados às obras e mais de 45 mil unidades habitacionais em construção.
Esses números ajudam a dimensionar o desafio: ampliar a produção exige não apenas terrenos, projetos e recursos financeiros, mas também profissionais preparados para executar, coordenar e gerenciar as obras.
Da formação técnica à preparação de lideranças
O programa da Plano&Plano começa ainda na faculdade. Os estagiários participam de uma trilha de desenvolvimento de aproximadamente dois anos, que combina experiência prática nos canteiros, treinamentos e acompanhamento dos gestores. A partir daí, podem avançar para posições de assistente e analista de Engenharia e, posteriormente, para funções de gestão, como gerente de obra, gerente geral, superintendente e diretor.
A estratégia também contribui para a sucessão profissional. Ao desenvolver pessoas que já conhecem os processos, os padrões de qualidade e a cultura da companhia, a empresa busca facilitar a transição para novas responsabilidades e criar oportunidades para que outros profissionais avancem na carreira.
A formação não se limita aos engenheiros: inclui mestres de obras, encarregados e trabalhadores de áreas como elétrica, hidráulica e almoxarifado. A companhia também investe na ampliação da participação feminina em áreas historicamente masculinas. Segundo a reportagem, aproximadamente 40% dos cargos de liderança da Engenharia são ocupados por mulheres.
Tecnologia e qualificação caminham juntas
A escassez de mão de obra também influencia as decisões sobre como construir. A Plano&Plano mantém uma área de Inovação em Engenharia dedicada à pesquisa e à adoção de métodos construtivos, tecnologias, materiais e processos que possam aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e melhorar a eficiência dos canteiros.
A modernização, contudo, não elimina a necessidade de profissionais qualificados. Mesmo com processos mais industrializados, as obras dependem de equipes capazes de operar equipamentos, fiscalizar serviços, assegurar a qualidade e coordenar as atividades.
Por isso, o desenvolvimento de pessoas e a inovação tecnológica são tratados como frentes complementares: enquanto novas soluções podem tornar a execução mais eficiente, a capacitação prepara os profissionais para utilizá-las adequadamente.



