DataZAP Report #133
30/09/2026
As principais notícias do mercado imobiliário entre 30 de setembro a 6 de outubro, comentadas por nossos especialistas.
Mercados Náutico e Imobiliário andam juntos em nova tendência

O crescimento do mercado náutico brasileiro, reflete uma integração cada vez maior com o mercado imobiliário de alto padrão. Segundo a Associação Brasileira de Construtores de Barcos (Acobar), o setor náutico brasileiro movimentou R$ 2,5 bilhões em 2025, resultado 10% acima do de 2024. A cultura náutica deixou de ser apenas uma atividade de lazer isolada, marinas e infraestruturas náuticas geram apelo de moradia no seu entorno, estimulando o lançamento de empreendimentos residenciais, atração de serviços e a comercialização de um estilo de vida exclusivo.
Os investimentos em Santa Catarina exemplificam a aplicação dessa dinâmica no mercado. Em Itajaí, melhorias na marina local impulsionaram o surgimento de restaurantes, comércios e projetos residenciais com vista para o atracadouro. Do mesmo modo, o anúncio da primeira grande marina de Florianópolis, inserida no projeto do Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte com investimento de R$ 350 milhões e capacidade para 600 embarcações, projeta dobrar o valor do metro quadrado nos bairros Centro e Agronômica, e assim motivar lançamentos na região.
Além da valorização, a relação opera como uma via de mão dupla na qual referências da arquitetura residencial passam a influenciar o design dos barcos. Estaleiros já projetam modelos concebidos como casas flutuantes, a exemplo do iate equipado com varanda de nove metros quadrados sobre a água, lounge na proa, área social e jacuzzi. Dessa forma, a convergência entre engenharia náutica e de imóveis estabelece um novo patamar de produtos voltados ao público de altíssimo padrão.
Terrenos menores ganham espaço em São Paulo

O mercado imobiliário de São Paulo começa a encontrar novas formas de viabilizar projetos em regiões onde os terrenos disponíveis são cada vez mais escassos e caros. Em bairros valorizados, como Jardins, Pinheiros e Vila Madalena, encontrar grandes áreas disponíveis para novos empreendimentos é um desafio. Reunir vários terrenos para formar um único lote também pode elevar bastante o custo da operação.
Nesse contexto, terrenos a partir de 500m² começam a chamar a atenção de incorporadoras. A estratégia é desenvolver projetos menores, com menos unidades e apartamentos maiores, especialmente em regiões onde existe demanda por imóveis bem localizados.
É uma proposta diferente da que ganhou força nos últimos anos em São Paulo, marcada pela oferta de apartamentos compactos e pelo aproveitamento de terrenos para empreendimentos com muitas unidades. Nos chamados prédios boutique, a lógica é outra: menos apartamentos, plantas maiores e um produto mais exclusivo.
As mudanças também refletem uma questão importante para o desenvolvimento imobiliário da cidade: o terreno. Em áreas consolidadas, onde há pouco espaço para novas incorporações, o tamanho do lote pode definir não apenas o projeto, mas também a estratégia de negócio.
FipeZAP Residencial Venda avança novamente em setembro e sinaliza aquecimento abrangente no setor

O Índice FipeZAP de Venda Residencial avançou 0,58% em setembro de 2026, superando a alta de 0,53% apurada no mês de agosto. Esse crescimento no valor dos imóveis foi amplo e abrangeu 46 das 56 cidades monitoradas pelo índice, incluindo 19 das 22 capitais que integram a cesta de cálculo. Os maiores destaques de alta entre as capitais ficaram com Fortaleza (+1,67%), Vitória (+1,63%) e Recife (+1,49%), enquanto Campo Grande (-1,55%), Manaus (-0,31%) e Belém (-0,14%) registraram queda. Analisando por tipologia, as unidades residenciais de três dormitórios tiveram a maior elevação no último mês (+0,61%), embora o preço do metro quadrado médio mais elevado permaneça na tipologia de um dormitório (R$ 12.260/m²).
Em relação aos valores absolutos, o preço médio de venda residencial apurado no escopo do índice alcançou a marca de R$ 10.015/m². Entre as capitais brasileiras, Vitória (ES) consolidou-se com o preço médio mais elevado do país (R$ 15.905/m²), sendo seguida por Florianópolis (R$ 13.607/m²) e São Paulo (R$ 12.206/m²), ao passo que capitais nordestinas como Teresina (R$ 6.075/m²) e Aracaju (R$ 5.875/m²) se mantiveram com os metros quadrados mais baratos.
No balanço de janeiro a setembro de 2026, o índice registrou uma valorização imobiliária de 4,04%, um resultado que supera a inflação medida pelo IPCA (+3,83%) e a variação do IGP-M (+3,45%) no mesmo período. Na janela móvel dos últimos 12 meses, a alta acumulada alcançou 5,51%, consolidando também um ganho real acima dos principais indicadores de inflação. Nesse recorte, os imóveis de um dormitório lideraram expressivamente a valorização (+7,48%), e quase a totalidade das cidades monitoradas (55 de 56) registrou aumento nominal nos preços, evidenciando um aquecimento abrangente no setor.



