DataZAP Report #132
30/09/2026|DataZAP Report
DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 23 a 29 de setembro, comentadas por nossos especialistas.
Corredor São Paulo - Campinas consolida-se como principal hub de infraestrutura digital da América Latina no 1º semestre de 2026

O corredor São Paulo - Campinas consolidou-se no primeiro semestre de 2026 como o principal destino de investimentos em infraestrutura digital da América Latina, atuando como a principal porta de entrada para aportes globais em nuvem, inteligência artificial e conectividade. Dados da consultoria Cushman & Wakefield indicam que a região atingiu 661 megawatts (MW) de capacidade operacional, um avanço sobre os 623 MW registrados no final de 2025. Esse crescimento foi absorvido de forma imediata pelo mercado: com uma absorção líquida de 38 MW no semestre, a taxa de vacância entre os provedores de colocation operou no patamar restrito de apenas 4,1%. O cenário reflete a aceleração da demanda corporativa por digitalização e novas tecnologias processadas localmente.
A expansão do mercado brasileiro é materializada por movimentações corporativas de alta relevância firmadas no período. O Alibaba Cloud anunciou sua primeira região de nuvem no país, fortalecendo a infraestrutura para inteligência artificial, enquanto a Elea Data Centers consolidou um contrato de US$ 420 milhões (aproximadamente R$ 2,1 bilhões) com a Petrobras para operar uma instalação de 30 MW estruturada integralmente com energia renovável. Para sustentar esse fluxo de dados, o anúncio do cabo submarino Synapse, operado pela V.tal e com extensão de 9,7 mil quilômetros, criará uma ponte física direta entre São Paulo e Nova Jersey. A tração financeira e estrutural do mercado paulista mantém sua liderança isolada frente a praças secundárias como Santiago, Querétaro e Bogotá, sustentando um pipeline de novos projetos que ultrapassa os 2.066 MW.
Apesar da aceleração da região sul-americana, a conjuntura continental ainda expõe a disparidade do setor perante o mercado norte-americano. As Américas totalizam 50,3 GW de capacidade operacional, sendo que 94,1% deste volume permanece concentrado nos Estados Unidos. A implicação de longo prazo aponta para um crescimento inevitável, porém pressionado por fatores inflacionários globais. O desenvolvimento de novos data centers (greenfield) tornou-se estruturalmente mais caro, registrando um salto médio de 21% por megawatt desde o final de 2024, consequência direta de gargalos na cadeia de suprimentos e da forte escalada de preços em equipamentos críticos de energia.
Empresas buscam novas localizações em busca de melhores custos e flexibilidade

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo enfrenta limitações de espaço e custos no seu eixo principal, com a vacância na Faria Lima e Itaim Bibi atingindo o menor nível em 17 anos e aluguéis superando R$ 400 por m². As empresas estão adotando um posicionamento de maior seletividade e, ao invés de uma saída definitiva do polo tradicional, observa-se uma descentralização estratégica para regiões como Berrini, Chucri Zaidan e Pinheiros, buscando equilibrar custos imobiliários, qualidade dos ativos, acessibilidade e flexibilidade de espaço.
A mudança reside nas expressivas diferenças financeiras entre as regiões e na oferta de estoques mais novos. Enquanto a Faria Lima e seu entorno concentram vacância de apenas 8% e aluguel pedido médio de R$ 214,30 por m², eixos como a Berrini e a Chucri Zaidan oferecem descontos que variam de 60% a 71%. Essa vantagem econômica impulsionou a absorção de áreas, liderada pela Chucri Zaidan desde 2020 e acompanhada por movimentações na Berrin. Adicionalmente, infraestruturas como a Linha 17-Ouro do monotrilho reforçam a atratividade desses eixos, levando a previsões de valorização do aluguel na Berrini de 20% a 30% nos próximos anos e motivando estratégias em que companhias mantêm apenas a diretoria no centro financeiro tradicional, deslocando operações secundárias para endereços mais competitivos.
Além do fator financeiro, a seleção de novos endereços é guiada pela qualidade técnica dos edifícios, eficiência operacional e atração de talentos. A área média por funcionário voltou a crescer, passando de cerca de 6,5 m² para níveis próximos de 9 m² para comportar espaços colaborativos e de convivência. O avanço da demanda impulsiona inclusive renegociações contratuais com reajustes de 30% a 40% na Chucri Zaidan, ao mesmo tempo em que a capital contabiliza mais de 240 mil m² de lajes corporativas Classe A+ e A em construção.
Porém, o movimento de migração exige um cálculo minucioso das organizações, uma vez que a economia obtida no valor do aluguel pode ser parcialmente ou totalmente consumida por despesas com reformas, mobiliário, tecnologia e desmobilização. Diante de um volume relevante de novas entregas, que já enfrentam demanda prévia para substituição de imóveis obsoletos, o cenário futuro do setor imobiliário corporativo em São Paulo aponta que fatores como a seletividade técnica e eficiência dos ativos sejam mais importantes para as movimentações das empresas.
Plano&Plano inicia atuação no mercado imobiliário goiano

A incorporadora Plano&Plano oficializou sua entrada no mercado imobiliário de Goiânia com a inauguração de uma sede local e o anúncio do lançamento de seu primeiro empreendimento na região. A iniciativa marca a expansão geográfica da companhia para fora de São Paulo, onde sua atuação esteve concentrada na escala de habitação econômica. Com a abertura dessa nova estrutura física, a empresa estabelece sua presença no estado de Goiás para desenvolver projetos de forma contínua.
A decisão de ingressar no mercado goiano ocorre em um momento de desaceleração na velocidade de vendas registradas em São Paulo, o que levou a empresa a manter o volume de lançamentos paulistas e buscar novas praças. Ao escolher Goiânia, a companhia busca atuar em um ambiente com menor intensidade competitiva. O movimento visa diversificar suas operações e testar a capacidade de replicação do seu modelo de negócios em outras capitais do país.
Para o setor local, essa expansão estimula a movimentação econômica e pode gerar novas opções de vendas para corretores e imobiliárias, além de impulsionar investimentos e parcerias com os empresários já consolidados na região.



