DataZAP Report #131
23/09/2026|DataZAP Report
DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 16 a 22 de setembro, comentadas por nossos especialistas.
Copom fixa Selic em 13,75% sob alerta inflacionário e mercado prevê alívio no crédito a partir de 2027

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e marca o quinto corte consecutivo realizado pelo colegiado. De acordo com o comunicado do Copom, o movimento é compatível com a estratégia de trazer a inflação para a meta e acompanha os sinais de desaceleração da economia nos últimos meses, evidenciados pela perda de fôlego do PIB, contração do consumo das famílias e recorde na inadimplência.
Apesar da redução, o Banco Central adotou um tom de cautela, alertando que o cenário atual apresenta riscos inflacionários "mais elevados que o usual". O comitê destacou temores com a desancoragem das expectativas e os efeitos de choques exógenos, como a guerra no Oriente Médio e possíveis efeitos do El Niño. Os especialistas do mercado, alinhados à postura mais restritiva do BC, projetam que este seja o último corte de juros de 2026, esperando a retomada da flexibilização monetária apenas no ano seguinte, com a Selic projetada para encerrar 2027 em 12%.
A perspectiva de retomada do ciclo de cortes da Selic em 2027, sinalizada pelas projeções do mercado, traz uma expectativa positiva para o setor imobiliário. A flexibilização monetária futura tem potencial para reduzir os custos de financiamento habitacional, tornando o crédito mais acessível aos compradores e fomentando um ambiente mais favorável para novos negócios e lançamentos no médio e longo prazo.
Leia mais: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/bc-copom-selic-juros-setembro-2026/
Campinas ganha espaço no mapa da logística

Se Guarulhos já enfrenta escassez de terrenos e aluguéis elevados, Campinas surge como alternativa para operações logísticas que não precisam estar tão próximas de São Paulo. É nesse contexto que o Mercado Livre vai ocupar um complexo de 464 mil m² em frente ao Aeroporto de Viracopos, no que será o maior contrato único de locação de galpão já registrado no Brasil.
A escolha ajuda a mostrar como a expansão do e-commerce também está redesenhando a localização dos grandes empreendimentos logísticos. Em Guarulhos, o aluguel médio de galpões de alto padrão chega a R$ 42/m², enquanto em Campinas a média é de R$ 22/m², segundo dados da Cushman & Wakefield citados pela reportagem. A proximidade com Viracopos e a disponibilidade de mão de obra também pesaram na escolha.
O movimento não acontece isoladamente. No segundo trimestre de 2026, Mercado Livre e Shopee responderam por nove das dez maiores locações de galpões logísticos do país, enquanto a absorção líquida superou as novas entregas, indicando uma demanda ainda elevada por esse tipo de espaço.
Esses movimentos apontam para uma transformação na geografia logística: à medida que grandes operações demandam mais espaço, infraestrutura e eficiência, cidades fora do eixo imediato da capital passam a ganhar relevância na localização dos novos galpões.
Aluguel comercial sobe cinco vezes mais que preço de venda em 12 meses

O mercado de imóveis comerciais encerrou agosto com comportamentos distintos entre venda e locação. Segundo o Índice FipeZAP Comercial, os preços de venda de salas e conjuntos comerciais avançaram 0,40% no mês, enquanto os valores de locação subiram 1,01%. A diferença fica ainda mais evidente no acumulado dos últimos 12 meses: enquanto a venda registrou alta de 2,20%, a locação avançou 11,21%.
O movimento mostra que o mercado de aluguel vem apresentando uma valorização mais intensa do que o de compra e venda. No período de 12 meses, todas as dez cidades monitoradas pelo índice registraram alta nos preços de locação, com destaque para Rio de Janeiro (+20,97%), Salvador (+19,84%), Brasília (+12,24%) e Curitiba (+11,36%). Em São Paulo, a alta foi de 7,82%. Já na venda, os resultados foram mais moderados: Florianópolis teve a maior valorização, de 6,94%, enquanto Porto Alegre registrou queda de 2,16%.
Em agosto, Brasília chamou atenção pela alta de 5,36% nos preços de locação, seguida por Salvador, com 2,48%. São Paulo apresentou alta de 0,97%, levando o preço médio anunciado para R$ 62,34/m². Na venda, a capital paulista registrou alta de 0,38%, com preço médio de R$ 10.643/m².
O cenário também se reflete na rentabilidade do aluguel comercial. Em agosto, o rental yield médio ficou em 7,63% ao ano, acima dos 6,14% registrados para imóveis residenciais. Entre as cidades monitoradas, Salvador apresentou a maior rentabilidade, de 11,51% ao ano, seguida por Campinas, com 8,87%.
Os dados reforçam, portanto, um mercado comercial em que a dinâmica da locação vem se destacando em relação à venda. Mais do que a valorização dos imóveis, o movimento dos últimos 12 meses chama atenção para a força dos preços de aluguel, que avançaram de forma disseminada entre as cidades acompanhadas pelo índice.



