DataZAP Report #128
02/09/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 26 e 01 de setembro, comentadas por nossos especialistas.
Avanço na venda de imóveis bate recorde no primeiro semestre

O mercado imobiliário residencial brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 5,4% nas vendas, totalizando 226.536 unidades comercializadas em comparação às 214.910 registradas em igual período de 2025. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) atuou como o principal motor do mercado, compensando os efeitos da taxa Selic mantida em patamares elevados. No segundo trimestre de 2026, o programa atingiu participação recorde ao responder por 58% de todos os lançamentos nacionais e por 51% das vendas, garantindo estabilidade operacional em um período no qual o total acumulado de unidades lançadas variou -0,3% no semestre (211.651 unidades).
A maior participação de empreendimentos do MCMV alterou a dinâmica financeira do setor, provocando uma redução de 10,3% no ticket médio das vendas no segundo trimestre, fixado em R$ 581,9 mil. Esse movimento foi reflexo da queda no Valor Geral de Vendas (VGV) para R$ 66,2 bilhões (-5,5% na comparação anual) e do Valor Geral de Lançamentos (VGL) para R$ 62,4 bilhões (-23,1%). Em contrapartida, o volume de crédito para aquisição de imóveis via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) cresceu 12% no semestre, somando R$ 67,2 bilhões, enquanto os financiamentos voltados à construção para incorporadoras saltaram 107%, atingindo R$ 26,5 bilhões. No recorte por tipologia, os imóveis de dois dormitórios mantiveram a liderança das comercializações, representando 65,2% das unidades vendidas e 62,4% das lançadas no trimestre, seguidos pelas opções de um dormitório, que responderam por 23,1% das vendas e 26,6% dos lançamentos.
O Centro-Oeste e o Nordeste lideraram o avanço dos lançamentos no segundo trimestre (+19,1% e +24,6%, respectivamente), ao passo que o Sul (-25,1%) e o Norte (-35,2%) retraíram. A menor participação do MCMV no Sul, onde representou 29% dos lançamentos, pesou sobre os resultados locais. Mesmo com retração de 2,1% no estoque disponível frente ao trimestre anterior (encerrando em 355.290 unidades), é possível enxergar a resiliência contínua da demanda, com a intenção de compra para os próximos 24 meses subindo de 49% para 52% das famílias. O apetite do consumidor permanece guiado por necessidades pessoais e dependente das condições fiscais e da taxa de juros, sem impactos relevantes decorrentes do calendário eleitoral de 2026.
Abecip vê crédito imobiliário crescer 25% em 2026 com recursos do FGTS e do Fundo Social

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) elevou de 16% para 25% a projeção para o crédito imobiliário, com o volume de concessões aproximado de R$ 411 bilhões neste ano. A revisão tem como objetivo comunicar a reconfiguração do financiamento habitacional no país, impulsionada por um primeiro semestre mais forte do que o esperado, que somou R$ 180,9 bilhões em concessões, avanço de 23% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), reforçado por verbas do Fundo Social do Pré-Sal, assumiu o protagonismo na sustentação da demanda por moradia, amenizando os impactos das taxas de juros elevadas.
Entre os argumentos que sustentam essa projeção, destaca-se a forte expansão das operações vinculadas ao FGTS, cuja estimativa de alta passou de 5% para 38%, impulsionada pela aplicação do orçamento destinado à habitação e pelo reforço de recursos originários do Fundo Social.
Em paralelo, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) teve sua estimativa revisada de 15% para 18% no ano, totalizando R$ 185 bilhões, fomentado pela aquisição e pelo crédito à produção no primeiro semestre, este último favorecido por uma base de comparação enfraquecida no ano anterior. Já as linhas de recursos livres mantiveram a projeção de crescimento em 31% (R$31 bilhões), refletindo as limitações de captação no mercado sem o direcionamento de subsídios.
Embora o nível elevado dos juros continue sendo um dos principais riscos para a evolução do crédito imobiliário, e a Abecip mantenha cautela para os próximos meses, o desempenho acima do esperado do primeiro semestre de 2026 mostra que a demanda por financiamento imobiliário continua sólida. A expectativa da entidade é que os recursos do FGTS e do Fundo Social tornam-se a principal fonte de financiamento habitacional do país em 2026.
Índice FipeZAP de Locação Comercial acumula alta de 11,26% nos últimos 12 meses, superando a inflação

O Índice FipeZAP Comercial de julho de 2026 registrou alta nos preços anunciados de salas e conjuntos comerciais de até 200 m²: a venda subiu 0,18% no mês e a locação aumentou 0,56%. No acumulado de 12 meses, a locação comercial teve valorização de 11,26%, superando a inflação medida pelo IPCA (4,44%) e o IGP-M (4,29%). O preço médio de locação no país ficou em R$ 53,68/m², com destaque para São Paulo, que apresentou média de R$ 61,74/m² na locação. Para venda, o preço médio nacional ficou em R$ 8.792/m², e na avaliação individual por localidade, São Paulo também se sobressai com o preço médio de R$ 10.602/m².
O relatório acompanha dez cidades brasileiras e na venda comercial, os maiores avanços mensais foram registrados em Salvador (+0,88%), Florianópolis (+0,56%), Campinas (+0,40%) e São Paulo (+0,35%), enquanto Porto Alegre (-1,02%) e Curitiba (-0,16%) apresentaram recuo. No segmento de locação, Curitiba liderou a alta mensal com (+1,36%), seguida por Rio de Janeiro (+1,21%), enquanto Brasília (-2,14%) e Florianópolis (-0,52%) tiveram quedas nos preços anunciados.
O índice FipeZAP traz também o indicador rental yield, que calcula uma medida da rentabilidade para o comprador que opta por investir em imóveis com a finalidade de obter renda com o aluguel. Além disso, esse indicador pode ser útil para avaliar a atratividade da locação de salas e conjuntos comerciais em relação a alternativas de investimento disponíveis no mercado. Em julho de 2026 especificamente, o retorno médio do aluguel de imóveis comerciais atingiu a marca de 7,59% ao ano, mantendo-se acima da rentabilidade projetada para a locação de imóveis residenciais 6,14% ao ano). Entre as localidades monitoradas a maior taxa de retorno foi em Salvador (11,36% a.a) e a menor registrada foi em Curitiba (6,30% a.a).
O relatório do Índice FipeZAP Comercial é uma ferramenta essencial para os agentes que atuam no mercado imobiliário. As análises regionais ajudam a identificar mercados com maior valorização, funcionando como referencial para a tomada de decisão na estruturação de estratégias e para o direcionamento de esforços de captação e investimentos.

