DataZAP Report #126
19/08/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 12 a 18 de agosto, comentadas por nossos especialistas.
“Aluguel consignado” é novo projeto de lei aprovado na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que institui a modalidade de "aluguel consignado", permitindo o desconto de até 30% do salário do locatário diretamente na folha de pagamento para quitar a locação. O objetivo é reduzir a inadimplência e proporcionar maior segurança aos proprietários de imóveis. Com isso, se espera que haja incentivos para oferta de imóveis atualmente desocupados e potencialmente ajustando os valores dos aluguéis, que mantêm-se artificialmente elevados, através de ajustes de oferta e demanda.
Para viabilizar essa modalidade, o projeto dispensa exigências tradicionais, como fiador ou depósito caução, estendendo-se a empregados da iniciativa privada, servidores públicos, pensionistas e aposentados. Além disso, permite a composição de renda por múltiplos locatários com descontos em suas respectivas folhas salariais. O projeto isenta o inquilino da multa rescisória caso a devolução antecipada do imóvel decorra de transferência exigida pelo empregador.
A conclusão do projeto, que tramita desde 2011 e agora segue para o Senado Federal antes de eventual sanção presidencial, aponta para uma reconfiguração das garantias locatícias. Como ponto adicional, a retomada do imóvel poderá ocorrer mediante o término do contrato de trabalho do locatário, condicionando a estabilidade da locação à manutenção do vínculo empregatício que sustenta o "aluguel consignado".
Mercado corporativo paulistano aquece e bate recorde de preço no pós-pandemia

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo apresenta um cenário de forte aquecimento no período pós-pandemia, caracterizado pela corrida das empresas por espaços com infraestrutura qualificada e bem localizados. O objetivo dessa movimentação é garantir endereços estratégicos que atendam às novas necessidades corporativas para o trabalho presencial e híbrido.
Dados do levantamento da Binswanger Brazil sustentam essa dinâmica ao registrar negociações antecipadas de grande porte. A Amazon exemplifica a tendência ao contratar mais de 39 mil metros quadrados no edifício Biosquare, em Pinheiros, consolidando-se como a quarta maior ocupante corporativa da cidade, com cerca de 56 mil metros quadrados totais. Movimento idêntico foi adotado pelo Nubank e pela própria Cyrela no empreendimento Cyrela Oscar Freire Corporate. O período também registrou locações volumosas de empresas como Claro Brasil e Braskem, reforçando a disputa acirrada no mercado imobiliário corporativo paulistano.
A absorção antecipada dessa demanda gera um impacto direto nos indicadores do setor, uma vez que o novo estoque já chega ocupado ao mercado. Com isso, a taxa de vacância recuou para 12,1% no segundo trimestre, o menor patamar da série histórica, enquanto o preço pedido pelos proprietários avançou para o valor recorde de R$ 138,20 por metro quadrado. A conclusão desse cenário contraria as projeções desenhadas durante a crise que ocorreu por conta do covid, evidenciando que a expansão do trabalho remoto não anulou a relevância dos escritórios físicos, mas transferiu o foco da demanda para empreendimentos com padrão construtivo superior.
Índice FipeZAP aponta alta de 0,70% nos preços de locação em julho

O Índice FipeZAP de Locação Residencial, que acompanha a variação dos preços de imóveis em 36 cidades brasileiras, registra alta de 0,70% nos preços de locação de imóveis residenciais em julho, mostrando leve desaceleração em relação ao resultado observado no mês anterior (+0,81%). Ainda assim, na comparação com outros índices de referência do mercado, a variação mensal superou a inflação ao consumidor medida pelo IPCA/IBGE (+0,71%) e o comportamento mensal do IGP M/FGV (-1,16%).
Entre os tipos de imóveis residenciais analisados, as unidades com dois dormitórios apresentaram a alta mais expressiva no período (+0,85%), enquanto os imóveis com quatro ou mais dormitórios registraram avanço comparativamente menor (+0,26%). No acumulado de 12 meses ainda entre tipologias, a elevação permaneceu maior entre imóveis com dois dormitórios (+10,21%), e unidades com quatro ou mais dormitórios registraram a menor variação (+6,37%).
Referente ao preço médio de locação residencial, em julho o preço médio nacional foi de R$54,17/m². Considerando as 22 capitais que integram a amostra do índice FipeZAP, São Paulo (SP) registrou o maior preço médio (R$65,18/m²) em julho, seguida de Recife (R$64,11/m²). Entre tipologias, os imóveis que apresentaram o maior preço médio foram de um dormitório (R$72,08/m²), enquanto as unidades com três dormitórios registraram o menor valor (R$46,58/m²).
Para quem investe no setor, o retorno médio do aluguel residencial foi estimado em 6,14% ao ano. Ainda que essa taxa seja inferior à rentabilidade média projetada para aplicações financeiras de referência nos próximos 12 meses, ela varia de acordo com a região e o tipo de imóvel. Entre as capitais, Recife oferece o melhor retorno do país (6,78% a.a), seguido de Cuiabá (8,31% a.a) e Belém (8,18% a.a). E entre tipologias, apartamentos de um dormitório (6,78% a.a) seguem sendo a opção mais lucrativa para os proprietários.


