DataZAP Report #124
05/08/2026|DataZAP Report
DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 30 de julho a 04 de agosto, comentadas por nossos especialistas.
Crédito imobiliário desempenha acima do esperado e cresce 23% no primeiro semestre de 2026

O mercado imobiliário brasileiro apresentou expansão no primeiro semestre de 2026, surpreendendo as projeções de desaceleração diante de um cenário macroeconômico de juros elevados. Mesmo com a taxa Selic fixada no patamar de 14,25% ao ano, o volume de concessões de crédito para compra e construção de imóveis movimentaram R$ 180,9 bilhões, um avanço de 23% frente ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Esta dinâmica resultou no financiamento de aproximadamente 850 mil imóveis entre janeiro e junho, com participação das operações ligadas ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e das carteiras livres. As operações financiadas com recursos da poupança (SBPE), para aquisição e construção, atingiram R$ 93,7 bilhões, avanço de 29% sobre o primeiro semestre de 2025. Em paralelo, as operações com recursos do FGTS cresceram 22%, tracionados sobretudo pelas novas faixas do programa Minha Casa, Minha Vida. Enquanto que as linhas de carteiras livres, ou seja, que não usam recursos direcionados da poupança nem do FGTS, como o ‘home equity’, que é um crédito que tem o imóvel como garantia de pagamento (CGI), também registrou expansão de 30,9% nas concessões durante o semestre.
Contudo, esse desempenho no primeiro semestre indica um resultado da combinação entre a valorização contínua dos ativos imobiliários, pressionada pela inflação da construção civil e o afrouxamento das regras de compulsório da poupança implementadas pelo Banco Central no ano passado. Além disso, a forte escalada no preço das locações residenciais, que segundo o Índice FipeZAP, o aluguel registrou alta acumulada de 9% nos últimos doze meses, superando com folga índices inflacionários como o IPCA e o IGP-M, pode estar acelerando a decisão de compra por parte dos consumidores.
Como a expertise do setor imobiliário tem se unido a inteligência artificial

A inteligência artificial tem permeado o mercado imobiliário em diversas frentes, desde a construção civil até a jornada de compra e locação de imóveis, com o objetivo de aumentar a eficiência e a liquidez do setor. E as ferramentas de IA têm turbinado a produtividade e otimizado a tomada de decisão, atuando como potencializadoras do trabalho humano, porém não como suas substitutas. Isso ocorre, por exemplo, porque apenas 1% dos clientes conclui a compra de um imóvel se a experiência for exclusivamente conduzida por IA, sem visita física. A tecnologia já demonstra resultados na redução de fricções comerciais e na personalização do atendimento, adaptando-se a diferentes perfis de consumidores e faixas de renda, desde o segmento econômico até o alto padrão.
O impacto da adoção da inteligência artificial é uma via de mão dupla: apresenta tanto casos de consolidação quanto falhas severas. Empresas do setor de compra e locação de imóveis no Brasil direcionaram recursos expressivos à IA, alcançando um aumento de três a cinco vezes na produtividade de engenheiros e aprimorando a precisão da análise de crédito, o que viabilizou a cobrança mais efetiva e precisa de aluguéis atrasados. No mercado norte-americano, a Zillow obteve êxito inicial com a estimativa automatizada de preços, mas sofreu um prejuízo de US$ 421 milhões no terceiro trimestre de 2021 ao depender de modelos preditivos para a compra direta de imóveis (iBuying) durante um período de alta volatilidade gerada pela pandemia. Startups como GetHome e Morada.ai também ilustram a versatilidade da ferramenta, utilizando-a para prever os custos reais de obras de forma transparente e para processar bilhões em vendas por meio de interações automatizadas via WhatsApp.
Apesar do potencial estrutural, a maturação da IA no segmento esbarra em desafios sistêmicos, como a ocorrência de vieses nos algoritmos e a necessidade de adaptação contínua dos modelos mediante oscilações macroeconômicas e volatilidade de preços. A ineficácia de grande parte dos projetos tecnológicos decorre da ausência de governança estruturada e de capacitação prévia, reforçando que a operação dessas ferramentas exige calibração humana ininterrupta. A projeção de mercado aponta que a competitividade das empresas do setor imobiliário pertencerá às plataformas capazes de integrar fluxos completos de transação, arquitetura de dados especializada, segurança institucional e principalmente com suporte humano confiável, superando a mera implementação de sistemas conversacionais básicos.
Venda residencial cresce 0,46% em julho e acumula 5,46% em 12 meses

De acordo com o Índice FipeZAP de Venda Residencial, que monitora o preço de venda em 56 cidades brasileiras, em julho/26 os preços registraram um aumento médio de 0,46%, variação similar à do mês anterior. O resultado ficou acima da prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15/IBGE, 0,06%) e na direção oposta ao IGP-M/FGV, que caiu 1,16%. No semestre, o índice acumulou 2,89%, abaixo da inflação (3,43%), porém, em 12 meses, o Índice FipeZAP de Venda Residencial chegou a 5,46%, superando tanto o IPCA (4,43%) quanto o IGP-M (2,76%).
Todas as cidades monitoradas apresentaram valorização no acumulado de 12 meses, com destaque para Salvador (11,27%), Manaus (10,64%) e Fortaleza (9,71%). Vitória (R$ 15.448/m²), Florianópolis (R$ 13.461/m²) e São Paulo (R$ 12.099/m²) lideraram os preços médios entre as capitais. Imóveis com 1 dormitório (7,29%) foram os que mais valorizaram no período de 12 meses e apresentaram o preço médio de R$ 12.123/m², frente ao preço nacional de R$ 9.900/m².
Para corretores e imobiliárias, o cenário aponta demanda concentrada em unidades compactas, que combinam maior preço por m² e maior valorização. Para incorporadoras e investidores, a valorização gradual das vendas, abaixo da inflação no semestre, reforça a importância de avaliar custo de aquisição, liquidez e perfil do imóvel. De certa forma, a alta em todas as 56 cidades no acumulado de 12 meses indica recuperação consistente do mercado residencial de venda.
Leia mais: https://imoveis.grupoolx.com.br/datazap/conteudos?categoria=fipezap&sub=FipeZAP+Residencial+de+Venda



