DataZAP Report #129
09/09/2026|DataZAP Report
As principais notícias do mercado imobiliário entre 02 a 08 de setembro, comentadas por nossos especialistas.

Presença feminina na corretagem impulsiona resultados das imobiliárias
O crescimento das mulheres na corretagem de imóveis é uma das mudanças mais marcantes do setor nos últimos dez anos. Segundo o Sistema COFECI-CRECI, o número de corretoras credenciadas subiu 144% na última década. Hoje, elas representam 35,5% dos profissionais ativos no Brasil e se destacam em áreas fundamentais, como atendimento especializado, marketing digital e gestão de clientes.
Esse movimento vai além da inclusão e gera impacto direto no resultado das imobiliárias, alinhando a equipe de vendas a quem decide a compra. Dados da consultoria Nielsen mostram que as mulheres lideram ou influenciam mais de 80% das compras de imóveis residenciais no país. Na prática, imobiliárias que promovem a diversidade em suas equipes comerciais ganham maior capacidade de entendimento das demandas familiares, empatia na negociação e eficiência no fechamento de contratos.
Para os gestores do setor, fica claro que contar com perfis variados é um diferencial competitivo indispensável. Integrar diferentes talentos torna a operação mais ágil e preparada para responder às mudanças de consumo e às exigências por um atendimento cada vez mais qualificado e personalizado.
Leia mais: https://rbtv.com.br/noticia/12599/mes-do-corretor-a-forca-feminina-no-mercado-imobiliario/amp

Incorporadoras lançam "coleções" de imóveis no Rio de Janeiro
O conceito de coleção, amplamente utilizado pela moda e pela hotelaria, virou a nova aposta das incorporadoras no mercado imobiliário carioca. A estratégia consiste em reunir diferentes lançamentos sob uma mesma marca que compartilha padrões de arquitetura, design e oferta de serviços. Em vez de construir prédios idênticos, as empresas criam empreendimentos que mantêm uma assinatura estética comum, mas preservam características e identidades próprias adaptadas a cada bairro da Zona Sul e do Centro do Rio de Janeiro.
A aposta nesse formato atende a três perfis principais de compradores: investidores focados no mercado de locação por temporada, pessoas em busca de segunda residência e moradores que valorizam a mobilidade urbana. Projetos como a linha Be.in.Rio, da Opportunity, e a Soul Rio, da RJDI, somam centenas de unidades em bairros como Ipanema, Copacabana e Flamengo. Com plantas compactas e inteligentes que variam de estúdios a coberturas, os prédios priorizam conveniência, curadoria de arte e áreas de convivência integradas.
A aceitação desse modelo de "design living" estimulou novos lançamentos e a entrada de outras marcas no setor, a exemplo da ARKT Incorporadora com a linha MO.dO em Botafogo. Para as empresas, o formato de coleção oferece um produto escalável e reconhecível pelo consumidor, capaz de agregar valor à marca. Com previsão de novos lançamentos ao longo do ano, o setor consolida essa tendência como uma das principais forças de atração de capital no mercado residencial do Rio.

Índice FipeZAP Venda Residencial: preços de imóveis mantém trajetória de alta em 2026, acima da inflação
O Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou alta de 0,53% nos preços de imóveis em agosto de 2026. O resultado foi ligeiramente superior ao apurado em julho (+0,46%) e ficou acima da variação da inflação medida pelo IPCA (que teve queda de 0,40% no período) e do IGP-M (recuo de 0,22%). O índice, desenvolvido pela Fipe em parceria com o Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX), acompanha os preços de venda de imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras, incluindo as 22 capitais que compõem sua cesta principal. O preço médio geral apurado na amostra de agosto foi de R$ 9.954/m².
Entre os tipos de imóvel, as unidades de 3 dormitórios lideraram a valorização mensal, com alta de 0,63%, enquanto os imóveis de 4+ ou mais tiveram o menor avanço (0,29%).
No recorte por cidades, a alta foi disseminada: 46 das 56 localidades monitoradas tiveram aumento de preços no mês, incluindo 18 das 22 capitais. Os principais destaques foram:
Maiores altas (Capitais): Vitória/ES (+1,31%), Brasília/DF (+1,28%), Aracaju/SE (+1,07%), Recife/PE (+0,88%), além de Rio de Janeiro/RJ e Goiânia/GO (ambas com +0,77%).
Quedas (Capitais): Curitiba/PR (-0,25%), Campo Grande/MS e Belém/PA (ambas com -0,19%), e Belo Horizonte/MG (-0,08%).
Extremos da amostra geral: Pelotas/RS registrou a maior alta entre as 56 cidades (+2,19%), enquanto Betim/MG amargou a maior queda (-0,34%).
Entre janeiro e agosto de 2026, o Índice FipeZAP avançou 3,44%, superando tanto o IPCA (+3,02%) quanto o IGP-M (+1,85%). Todas as 56 cidades apresentaram valorização nesse período. O ranking anual continua sendo liderado por Vitória (+10,24%), seguido por: Manaus/AM (+9,19%), Aracaju (+8,15%), Salvador/BA (+7,27%) e Florianópolis/SC (+6,05%). No extremo oposto, Belo Horizonte e Porto Alegre/RS registraram os menores avanços, de apenas 0,01% cada, acompanhadas por Curitiba (+0,06%).
O Índice acumula alta de 5,49% em 12 meses, novamente acima da inflação (IPCA em 4,14%) e do IGP-M (2,16%). Nesse horizonte mais amplo, é importante destacar que todas as 56 cidades monitoradas registraram aumento nos preços. Manaus lidera com avanço expressivo de 11,42%, logo à frente de Salvador (+10,84%), Vitória (+10,16%), Brasília (+9,44%) e Aracaju (+9,06%). As menores valorizações ficaram com Porto Alegre (+0,96%), Curitiba (+2,74%) e Belo Horizonte (+2,92%).
Em relação aos preços, os extremos entre as capitais se configuram da seguinte forma:
Mais caras: Vitória (R$ 15.650/m²), Florianópolis (R$ 13.531/m²), São Paulo (R$ 12.143/m²), Curitiba (R$ 11.731/m²) e Rio de Janeiro (R$ 11.216/m²).
Mais acessíveis: Aracaju (R$ 5.826/m²), Teresina (R$ 6.032/m²), Natal (R$ 6.439/m²) e Campo Grande (R$ 6.830/m²).
O desempenho até agosto de 2026 consolida uma trajetória de valorização moderada e constante. Os avanços de 2024 (+7,73%) e 2025 (+6,52%) refletem um mercado bem mais equilibrado do que no boom de 2009 a 2013, quando a alta anual superava os 30%.

