DataZAP Report #127
26/08/2026
As principais notícias do mercado imobiliário entre 19 a 25 de agosto, comentadas por nossos especialistas.
Fechamento de quase 300 lojas da Casas Bahia atinge o mercado imobiliário

O plano da Casas Bahia de fechar 298 lojas físicas acendeu um sinal de alerta no mercado imobiliário comercial e logístico do país. A medida faz parte do processo de recuperação judicial da varejista, que enfrenta dívidas de R$ 17,3 bilhões e reportou prejuízo bilionário. A devolução desse volume expressivo de pontos de venda — número onze vezes maior do que os fechamentos do último ano — deve liberar uma quantidade relevante de imóveis urbanos no mercado, provocando a reorganização da oferta em centros comerciais de todo o Brasil.
Além das lojas físicas, o setor imobiliário acompanha com atenção os possíveis desdobramentos na área de galpões logísticos. A empresa, que já devolveu cerca de 14 mil metros quadrados líquidos de áreas de armazenagem no último ano, ainda ocupa cerca de 328 mil metros quadrados de centros de distribuição pelo país. Novos ajustes ou devoluções de espaços podem alterar diretamente os índices de vacância e os preços dos aluguéis corporativos em regiões estratégicas de logística, como Rio de Janeiro, Pernambuco e o polo de Extrema (MG).
Por outro lado, o fechamento de lojas de rua não significa necessariamente um abandono proporcional dos galpões logísticos. Como o custo de armazenamento em galpões é substancialmente menor do que o aluguel e o IPTU de pontos comerciais urbanos, a tendência é que a empresa busque galpões mais eficientes para suportar a operação. Com o crescimento das vendas digitais, que avançou 27,4% no primeiro trimestre de 2026, a varejista precisará reestruturar sua malha de entregas para manter o fluxo de distribuição ativo mesmo com menos pontos físicos.
Custos da construção desaceleram, mas seguem pressionando o mercado imobiliário

O custo da construção civil apresentou desaceleração em julho, mas ainda mantém uma trajetória de alta no acumulado dos últimos 12 meses. Segundo dados do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), da FGV, o indicador avançou 0,62% em julho, abaixo da alta de 0,85% registrada em junho. No acumulado de 12 meses, a elevação chega a 6,40%.
A desaceleração mensal foi influenciada principalmente pelo grupo Materiais e Equipamentos, que passou de uma alta de 0,86% em junho para 0,42% em julho. O grupo inclui insumos utilizados em diferentes etapas das obras, entre eles os vidros planos.
O movimento indica uma redução do ritmo de crescimento dos custos, mas não significa, necessariamente, uma reversão da pressão sobre o setor. Para incorporadoras e construtoras, a manutenção de uma inflação de custos acima de 6% em 12 meses representa um fator relevante na composição do preço dos novos empreendimentos, na definição de margens e na viabilidade de projetos.
Entre as sete capitais consideradas pelo INCC-M, cinco apresentaram desaceleração em julho: Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). Enquanto Salvador (BA) e Recife (PE) registraram aceleração.
No mercado imobiliário, esse cenário reforça a importância do acompanhamento conjunto entre custos de produção, preços dos imóveis e condições de demanda. Em um ambiente de juros ainda elevados e crédito mais restritivo, a capacidade de repassar integralmente o aumento dos custos ao preço final pode ser limitada, tornando eficiência, planejamento e posicionamento dos empreendimentos ainda mais estratégicos.
Assim, embora julho tenha trazido um sinal de “alívio” na variação mensal do INCC, o acumulado de 6,40% nos últimos 12 meses mostra que a pressão de custos continua presente na cadeia da construção e permanece como um dos fatores a serem monitorados na dinâmica dos lançamentos e dos preços dos lançamentos.
Margem de Negociação Cresce e Descontos Chegam a 14% no segundo semestre de acordo com a Pesquisa Raio-X FipeZAP

O mercado imobiliário do segundo trimestre de 2026 destaca-se pela forte relevância da negociação, com os descontos nas vendas retornando a patamares históricos. Segundo a mais recente Pesquisa Raio-X FipeZAP, 65% das transações efetuadas contaram com algum abatimento, gerando um desconto médio de 14% sobre os valores anunciados para os imóveis que reduziram o preço — nível equivalente às máximas registradas em 2016 e 2020. Essa margem de negociação ganha ainda mais peso em um contexto em que 73% dos entrevistados percebem os preços atuais como altos ou muito altos, tornando a flexibilidade entre compradores e vendedores um fator decisivo para a efetivação da transação.
Em relação ao perfil de consumo, os imóveis usados seguem dominando amplamente o mercado, representando 74% das aquisições realizadas nos últimos 12 meses e mantendo a preferência de 49% daqueles que pretendem comprar nos próximos três meses. A busca por moradia própria permanece como a principal força motora, motivando 61% das compras recentes e 88% das intenções futuras. Já o investimento imobiliário mantém uma fatia sólida de 40% das transações do último ano, tendo como estratégia quase absoluta a geração de renda por meio do aluguel (74%).
Para os próximos 12 meses, as perspectivas apontam para um cenário de maior cautela e incerteza, com a expectativa média de valorização nominal dos imóveis fixada em 2,6%. Embora 39% dos entrevistados ainda consideram aumento nos preços e 24% prevejam estabilidade, a parcela de compradores indecisos subiu para 26%. Esse ambiente de preços mais acomodados e descontos atrativos desenha um momento propício para compradores buscarem oportunidades de negociação e para investidores focados no mercado de locação.
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