Se você trabalha no setor imobiliário, é importante saber o que é memorial descritivo. O termo, que faz parte do dia a dia das áreas de arquitetura e construção, também é importante para o mercado de imóveis.
Ele não é apenas um documento anexo; é o alicerce jurídico e técnico que garante a viabilidade de um negócio e a integridade da reputação institucional.
Embora possa ser familiar para a maioria, o memorial descritivo também pode gerar dúvidas: afinal, o que é e como é feito? Quem é o responsável pela sua elaboração?
Neste artigo, detalhamos os aspectos fundamentais que compõem a inteligência por trás dele e sua importância.
O que é memorial descritivo e qual sua fundamentação jurídica?
O memorial descritivo é um documento técnico obrigatório, com fé pública, que detalha cada componente material e metodológico de uma edificação. Enquanto a planta baixa define o "onde", ele define o "como" e o "com quê".
Sua obrigatoriedade é regida pela Lei nº 4.591/64 (Lei das Incorporações Imobiliárias). Ele atua como o principal instrumento de conformidade, vinculando a promessa de venda à entrega física.
Também assegura ao comprador o direito de acompanhar a execução da obra usando-o como documento de conferência.
Nesse sentido, o memorial é um documento especialmente importante para quem vai comprar um imóvel na planta.
Para unidades comercializadas na planta, ele é o único lastro concreto que o investidor ou comprador possui para auditar a evolução da obra.
Responsabilidade técnica: quem elabora e assina?
A legislação brasileira é rigorosa quanto à procedência técnica do documento. A responsabilidade pela elaboração do memorial descritivo recai sobre profissionais habilitados pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) ou CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo).
Embora a construtora detenha a responsabilidade legal de fornecer e registrar o documento no Cartório de Registro de Imóveis, a redação técnica é realizada por engenheiros civis ou arquitetos.
A assinatura desses especialistas garante que o empreendimento respeite a NBR 15575 (Norma de Desempenho), que estabelece critérios de segurança, habitabilidade e durabilidade para edificações residenciais.
Para que serve o memorial descritivo?
O memorial descritivo, além de ser um documento obrigatório por lei, desempenha um papel fundamental em diversas situações, como:

Funções estratégicas para o mercado imobiliário
1. Segurança jurídica (compliance): previne litígios decorrentes de vícios construtivos ou divergências de materiais. Se o documento especifica porcelanato de marca "X" e a obra entrega a marca "Y" sem aviso prévio, há quebra de contrato;
2. Transparência comercial: facilita a negociação ao fornecer dados exatos sobre infraestrutura de ar-condicionado, isolamento acústico e sistemas de automação;
3. Regularização de ativos: é indispensável para a obtenção do Habite-se e para o registro da convenção de condomínio.
Tipologias do memorial descritivo e suas aplicações

Exemplos de memorial descritivo: o que deve constar em um documento de alta qualidade?
Um memorial de excelência deve ser segmentado por disciplinas. Abaixo, listamos os principais elementos que compõem o conteúdo técnico de empreendimentos imobiliários:
1. Infraestrutura e superestrutura
Descreve a base do imóvel. Exemplos incluem:
2. Acabamentos e revestimentos
É aqui que o corretor encontra o valor agregado do imóvel. O documento deve citar:
3. Instalações técnicas e sistemas
Essencial para garantir que o imóvel suportará as demandas modernas:
4. Esquadrias e marcenaria
Define o padrão de fechamento da edificação:
5. Áreas comuns e equipamentos (em condomínios)
Para incorporadoras, é um item essencial para a valorização do ativo:

Quando o memorial descritivo se torna a ferramenta principal?
É recomendável utilizar o memorial descritivo em diversas fases do ciclo imobiliário, como na venda, compra, regularização documental, construção e reforma.
Em cada uma dessas etapas, o documento desempenha um papel importante para assegurar transparência e conformidade com a legislação.
No ciclo imobiliário, o uso do documento é intensificado em momentos críticos:
Transforme seu conhecimento técnico em vendas de alto nível. Anuncie seus imóveis e alcance visibilidade máxima.
Conclusão
Em um setor onde a confiança é a moeda de troca mais valiosa, o memorial descritivo consolida-se como o instrumento definitivo de transparência e profissionalismo.
Ao longo deste artigo, mostramos que transcende a mera burocracia técnica, funcionando como uma garantia jurídica e um roteiro de qualidade indispensável para incorporadoras, imobiliárias e corretores de imóveis.
Dominar as especificações contidas no memorial, desde os fundamentos estruturais até os mínimos detalhes de acabamento, permite mitigar riscos de distratos, evitar passivos judiciais e, sobretudo, elevar o padrão da sua assessoria.
Em última análise, a precisão do memorial protege o investimento do comprador e chancela a reputação de quem comercializa o empreendimento.
Portanto, para empresas que buscam liderança no mercado, a correta interpretação deste registro é um diferencial que transforma uma venda comum em uma transação de alta performance e fidelização.
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